quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Refletindo sobre a Morte

No ínicio desse mês minha avó materna faleceu.
A passagem ocorreu dia 2 de agosto, aos 89 anos, apenas 25 dias antes de completar 90 primaveras.
Ela caiu, fraturou o fêmur, foi operada, e após 37 dias de internamento em UTI, veio a falecer em decorrência de complicações clínicas.
A morte é fato que sempre mexeu e mexe comigo.
Nossa sociedade não esta preparada para essa passagem, fato que é inevitável para todos nós que estamos vivos, uns irão mais cedo, outros mais tarde.
Ao me ver diante do velório da minha querida matriarca, não pude evitar as lembranças da infância.
Os almoços de domingo (tinha a mesa dos adultos e a das crianças), os aniversários comemorados na casa grande, o relógio na parede, os lanches com pão de açúcar comprados na padaria vizinha, quentinho e gostoso, como só o carinho de avó podia ser. 
Chorei ao constatar que nunca mais veria aquele sorriso acolhedor, nem ouviria aquela voz me chamando de "minha neta".
Fui feliz, muito feliz na infância, tinha uma relação de carinho, e adorava ouvir as histórias que ela me contava.
Surgiu também em meu coração um sentimento de remorso, pois na vida adulta com tantas atribuições com trabalho, filho, casa, e o gerenciamento da própria vida , dediquei poucos momentos, pouquissímos confesso, para estar na compainha de dona Jacy.
Racionalmente sei que a morte foi um descanso para aquele ser frágil e debilitado, após tantas intervenções médicas: tubos, cateteres, sondas e contenções.
Mas eu queria poder ter ainda o colo de avó, a compainha e o amor daquela que me proporcionou tantos momentos felizes.
Será que algum dia nos veremos de novo? Espero que sim, para que eu possa mais uma vez abraçar e beijar a minha vovozinha.
Fica a certeza de que a vida é uma transição, e que precisamos viver bem o máximo possível.
Dar valor ao que realmente importa: família, amigos e momentos de felicidade.
Não deixar de demonstrar amor aos que amamos e não gastar energia com o que não tem jeito.
Viver com serenidade e com intensidade enquanto se tem saúde e oportunidade para... Viver.